HORTA MONÁSTICA

Muito obrigado por aceder à informação online.

Esta é uma visita virtual.

Uma parceria que se iniciou em junho de 2019 entre a Living Place – Animação Turística e o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.

 

 

Para visitas guiadas à Horta Monástica do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha inscreva-se aqui:

 

 

INTRODUÇÃO

A horta monástica do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha tem como objetivo proporcionar aos visitantes o conhecimento dos produtos vegetais que integravam a dieta das freiras Clarissas entre os séculos XIII e XVI.

As práticas culturais monásticas não incluíam pesticidas de síntese no combate a doenças, pragas e infestantes.

 

 

GENERALIDADES

A fixação das ordens religiosas em mosteiros e conventos levou à criação de espaços de produção de vegetais de forma a satisfazerem as necessidades alimentares e medicinais destas populações. Contudo, a produção resumia-se essencialmente às hortaliças, plantas aromáticas e medicinais, já que os produtos arvenses (culturas herbáceas) como os cereais para fabrico de pão, o azeite e o vinho eram adquiridos a fornecedores da região.

 

As Clarissas foram a ordem religiosa que ocupou o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e ali se mantiveram até ao séc. XVII. Estas freiras vivem em clausura e por esse motivo todo o espaço dedicado à sua vida estava murado.

 

Embora a horta fosse pertença das freiras Clarissas, quem cuidava dela era um hortelão (aquele que trata de uma horta), o qual não podia ter qualquer contacto com as freiras, nem estar presente, quando estas, na companhia da madre superior, a ela se deslocavam.

 

Até ao séc. XVI os vegetais produzidos na horta do Mosteiro eram essencialmente plantas regionais e só a partir desta data, se encontram vestígios de plantas exóticas, trazidas como resultado dos descobrimentos efetuados por portugueses e espanhóis.

 

A horta encontra-se a 18 metros acima do nível do mar e os canteiros têm as dimensões de 1m largura por 2,5m de comprimento, distanciam-se entre si em 0,5m.

 

 

 

CHARCO

O charco foi criado no sentido de proporcionar um habitat benéfico para a horta com a introdução de anfíbios. Estes alimentam-se de insetos, lesmas, caracóis que são nocivos às culturas.

 

Tritão-marmoreado (Triturus marmoratus)

 

 

Rã-verde (Pelophylax perezi)

 

 

 

PRESENÇA DE ESPÉCIES

 

 

Abrunheiro-bravo (Prunus spinosa)

Restos identificados: Frutos.

 

O abrunheiro-bravo é um arbusto ou pequena árvore frequente em Portugal, que cresce naturalmente ao longo de sebes, estradas, taludes e margens ripícolas não ensombradas.

 

Alho (Allium sativum)

 

Os caules redondos chegam a ter um metro de altura. A alicina, as vitaminas e outras substâncias  tornam o alho numa planta medicinal eficaz na diminuição do colesterol e na dilatação dos vasos sanguíneos, melhorando o fluxo sanguíneo. A combinação do alho com o azeite é especialmente saborosa e saudável.

 

 

Ameixeira (Prunus domestica) e Abrunheiro (Prunus domestica, subsp insitita)

Restos identificados: Frutos e madeira.

 

Dois grupos de caroços de dimensões distintas são claramente identificados, correspondendo provavelmente à ocorrência de diferentes variedades de ameixas e abrunhos consumidas pela comunidade do Mosteiro.

 

 

Avelaneira (Corylus avellana)

Restos identificados: Pólen e frutos.

 

A nova descoberta de cascas de avelã (2007), poderá testemunhar o seu consumo pelas habitantes do Mosteiro.

 

 

Castanheiro (Castanea sativa)

Restos identificados: Madeira, sementes e pólen.

 

 

Confirma-se a utilização da castanha na alimentação da comunidade monástica de Santa Clara-a-Velha.

 

Cebola (Allium cepa)

Os seus efeitos após a ingestão estão confirmados quanto à prevenção de doenças vasculares derivadas da idade. Ajuda na cicatrização, no fortalecimento do sistema imunitário e na prevenção de infeções gripais e constipações, graças à sua grande quantidade de vitamina C.

 

 

 

Cerejeira (Prunus avium) / Ginjeira (Prunus cerasus)

Restos identificados: Frutos e madeira.

 

 

 

Foram encontrados alguns caroços atribuídos à cerejeira ou à ginjeira, bem como um conjunto de pedicelos frutíferos (o vulgar pé-de-cereja).

A ocorrência de caroços é ilustrativa da utilização alimentar destes frutos.

 

 

Coqueiro (Cocos nucífera)

Restos identificados: Frutos.

 

A presença de nozes de coqueiro em Santa Clara-a-Velha reflete o consumo local destes frutos e a sua utilização na culinária e doçaria conventual.

 

 

Damasqueiro (Prunus armeniaca)

Restos identificados: Frutos.

 

 

O aparecimento de caroços de alperce, são testemunho do uso deste fruto na alimentação da comunidade monástica. Os Damasqueiros podiam ser cultivados no próprio espaço intramuros do Mosteiro ou porvir de outros locais da sua exploração agrícola.

 

 

Estragão (Artemisia  dracunculus)

O Estragão é empregue quer como ingrediente culinário quer como remédio para as dores de dentes e em mordeduras de serpentes. É uma planta que pode atingir 1 metro de altura. Tem sabor adocicado que lembra o anis.

 

 

 

Palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis)

Restos identificados: Sementes.

 

A Palmeira-das-canárias é considerada uma árvore ornamental, originárias das ilhas Canárias, muito usada em Portugal nos espaços ajardinados de quintas e propriedades de alguma abastança. Os seus frutos são comestíveis, embora pouco saborosos, pelo que não são usualmente usados na alimentação.

 

 

Pessegueiro (Prunus pérsica)

Restos identificados: Frutos.

 

As novas ocorrências de caroços de pêssegos (2007), são relativamente abundantes e provavelmente revelam a presença local desta árvore nos espaços arborizados do intramuros do Mosteiro.

 

 

Pinheiro manso (Pinus pinea)

Restos identificados: Madeira e sementes.

 

Confirma-se a presença de casca de pinhão e corrobora-se assim a já suposta utilização de pinhões na alimentação, culinária e doçaria de Santa Clara-a-Velha.

 

 

Videira (vitis vinifera)

Restos identificados: Sementes, madeira e pólen.

 

As sementes encontradas testemunham a importância destes frutos na alimentação da comunidade monástica de Santa Clara-a-Velha.

 

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